quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Greve Nacional da Educação




 
Publicado em Quarta, 29 Janeiro 2014 15:05


A CNTE convoca mobilização nacional para os dias 17, 18 e 19 de março. Trabalhadores em educação vão parar o Brasil para exigir o cumprimento da lei do piso, carreira e jornada, investimento dos royalties de petróleo na valorização da categoria, votação imediata do Plano Nacional de Educação, destinação de 10% do PIB para a educação pública e contra a proposta dos governadores e o INPC. 

A mobilização foi anunciada pelo presidente da CNTE após, ao arrepio da Lei, o Ministério da Educação orientar a atualização do piso em 8,32%, com a publicação, no dia 18/12 do ano passado, por meio da Portaria Interministerial nº 16 (DOU, pág. 24), da nova estimativa de custo aluno do Fundeb para 2013, a qual serve de referência para a correção do piso salarial do magistério em 2014. 
O critério utilizado pelo MEC para atualizar o piso, em 2014, compara a previsão de custo aluno anunciada em dezembro de 2012 (R$ 1.867,15) com a de dezembro de 2013 (R$ 2.022,51), sendo que o percentual de crescimento entre os valores foi de 8,32%, passando o piso à quantia de R$ 1.697,37. Até então, a previsão de atualização era de 19%.

Assim como no ano passado, a CNTE questionou o percentual de correção do piso para 2014, uma vez que dados já consolidados do Fundeb, até novembro de 2013, apontavamm crescimento do valor mínimo de aproximadamente 15%. E isso levou a crer que o MEC agiu na ilegalidade, a fim de contemplar reivindicações de governadores e prefeitos que dizem não ter condições de honrar o reajuste definido na Lei do Piso, mas que, em momento algum, provam a propalada incapacidade financeira.

Se, em 2013, o calote no reajuste do piso foi de cerca de 8%, este ano ele ficará em torno de 7%, totalizando 15%, fora as contradições interpretativas do acórdão do STF sobre o julgamento da ADIn 4.167, que excluiu o ano de 2009 das atualizações e fixou percentual abaixo do previsto em 2010, conforme denunciado à época pela CNTE.

Diante da nova “maquiagem” que limitará o crescimento do piso, inclusive à luz do que vislumbra a meta 17 do PNE, a CNTE antecipou sua decisão de organizar grande mobilização nacional da categoria no início do ano letivo, orientando suas entidades filiadas a ingressarem na justiça local contra os governadores e prefeitos que mantêm a aplicação dos percentuais defasados para o piso do magistério, como forma de contrapor os desmandos dos gestores públicos que têm feito caixa com os recursos destinados à valorização dos profissionais das escolas públicas.

Plano Nacional de Educação

O plenário do Senado Federal aprovou dia 17, a versão do PNE que seguirá para análise final na Câmara dos Deputados.

Em nota, a CNTE expôs sua contrariedade ao relatório final do Senado, apontando os pontos críticos que a Entidade lutará para que sejam revertidos na tramitação da Câmara dos Deputados, que deverá ocorrer no início deste ano.

Essa tramitação derradeira colocará frente a frente os substitutivos aprovados pela Câmara e o Senado, devendo prevalecer um dos dois textos. E a CNTE lutará pela manutenção das metas de alfabetização até o fim do primeiro ciclo do ensino fundamental, pela expansão das vagas públicas na educação profissional e no ensino superior, pela destinação das verbas públicas (10% do PIB) para a educação pública, assim como requererá a manutenção de artigos do projeto de lei e de estratégias do substitutivo da Câmara, a exemplo da que prevê a fixação de prazo para aprovação da Lei de Responsabilidade Educacional – a fim de que o PNE não se torne uma nova carta de intenções – e da que garante a complementação da União ao CAQ, além de outros pontos.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Congresso aprova recursos do petróleo, mas verbas são insuficientes para financiar o PNE


Congresso aprova recursos do petróleo para a educação, mas verbas são insuficientes para financiar o PNE

A aprovação das riquezas do petróleo para a educação pública e a saúde, na proporção de 75% e 25% sobre a metade do valor principal do Fundo Social, além de outras receitas oriundas da exploração de petróleo em regimes de concessão, cessão onerosa e partilha, foi uma vitória de toda sociedade brasileira que luta por mais e melhores políticas públicas.

Mesmo não sendo suficientes para garantir o investimento equivalente a 10% do PIB na educação pública, as novas fontes são bem-vindas, sobretudo para a consecução das metas de valorização dos trabalhadores em educação, previstas no projeto de lei que versa sobre o Plano Nacional de Educação.

Após muita discussão no parlamento, prevaleceu parte do projeto de lei dos royalties, aprovado na Câmara dos Deputados, que superou em mais de R$ 100 bilhões a previsão de receitas do projeto do Senado. Este, por sua vez, acabou sendo rejeitado, exceto com a alteração que desvinculou parte das receitas dos royalties de estados e municípios para a educação, as quais deverão somar cerca de R$ 90 bilhões na próxima década. Essas fontes, todavia, devem ser alvo da disputa dos trabalhadores em educação na luta pela valorização da carreira, em nível local.

Afora a outra metade do Fundo Social e a “anistia” conferida a estados e municípios, também não integraram as rubricas do petróleo, carimbadas para a educação e a saúde, os bônus de assinatura e parte do excedente em óleo. No entanto, essas duas matérias retornarão ao debate parlamentar para serem regulamentadas em definitivo, e os movimentos sociais atuarão oportunamente em defesa dos repasses dessas receitas para as políticas públicas.

De acordo com a consultoria de Recursos Minerais, Hídricos e Energéticos da Câmara dos Deputados, sob a coordenação do consultor Paulo César Ribeiro Lima, os valores disponíveis para a educação pública e a saúde deverão somar cerca de R$ 179,87 bilhões, até 2022, dos quais R$ 134,90 destinam-se à educação pública, em especial ao nível básico. Estão incluídos nesta conta os royalties e fundos especiais da União, relativos a contratos já licitados antes de 3 de dezembro de 2012, que deverão integrar as receitas do Fundo Social.

Questão importante refere-se ao fato de que os recursos do petróleo deverão ser contabilizados em acréscimo ao mínimo previsto no art. 212 da CF, podendo ser destinados para pagamento de salários e outros custeios de despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino.

Confira o quadro de receitas do petróleo para a educação pública e a saúde (Valores em bilhões)
Ano Vinculação para a educação pública,
em especial de nível básico
Total
(Educação + Saúde)
2013 0,85 1,14
2014 1,72 2,29
2015 2,70 3,60
2016 5,09 6,79
2017 7,42 9,89
2018 15,26 20,35
2019 20,93 27,91
2020 25,14 33,52
2021 27,42 36,56
2022 28,37 37,82
Total 134,90 179,87

Vale destacar, ainda, que a vinculação das riquezas do petróleo para a educação é exclusiva às redes públicas, devendo essa orientação fortalecer a luta social em torno da meta 20 do PNE aprovado na Câmara dos Deputados, que fixou o percentual de investimento público em 10% do PIB para a educação pública - diferente do relatório em trâmite no Senado, que contabiliza recursos públicos para a iniciativa privada.

Outra orientação para a luta dos trabalhadores em educação, diz respeito à destinação dos recursos dos royalties para a valorização de todos os profissionais que atuam nas escolas, seja na perspectiva de elevar o piso nacional do magistério e os vencimentos previstos nos planos de carreira da categoria, seja para incluir os funcionários da educação na política nacional de valorização, através da regulamentação do piso previsto no art. 206, VIII da CF.

Neste sentido, a CNTE reitera a necessidade de os Executivos e os parlamentos aprovarem novas leis prevendo mais verbas para a educação pública, não só por meio da vinculação das receitas do petróleo de estados e municípios, mas também de outros tributos, a exemplo de contribuições sociais que não incidem no financiamento da educação, para que o PNE se torne uma orientação plena e eficaz para as políticas públicas educacionais.

Fonte: http://www.cnte.org.br/

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